Depoimentos

“O que aprendi Minha história de recuperação começou no dia 15 de junho de 1972. Foi o dia em que cheguei ao fim da linha das drogas. Foi também o dia em que começou minha nova vida em recuperação. Vim de uma família disfuncional em que o álcool era a droga principal. No entanto, pensava que jamais seria como o meu pai, o alcoólatra. Naturalmente, eu desconhecia minha constituição e personalidade adictiva. Depois de concluído o colégio consegui um emprego muito bom como professor de uma pequena escola. Alguns anos mais tarde, conheci um médico que me ofereceu drogas que me faziam sentir melhor do que jamais me sentira antes na minha vida. Como os comprimidos vinham do médico, não me parecia errado ficar doidão quando os tomava. As drogas funcionaram para mim. Funcionaram muito bem, aliás. Pois muito bem, alguns meses mais tarde eu dirigia – doidão – para o trabalho e me deparei com uma curva muito perigosa na estrada. Meu uso já tinha ido muito mais longe do que eu em tempo algum poderia supor. Decidi pedir a Deus que me desse alguma luz. Minha prece foi mais ou menos assim: “Deus querido, saia da minha vida e deixeme sozinho por um ano. Depois, farei o que você quiser de mim.· Depois de pensar a respeito do que eu acabara de pedir, acrescentei, à guisa de P.S.: “Não deixe que eu me machuque demais.· Acreditei que nunca fosse me tomar um adieto. Mas eu me tomei. Levava muito pouco tempo para eu endoidar, e comecei a gostar cada vez mais da onda. Por alguma razão, para mim, as drogas transformavame na pessoa que eu sempre quisera ser. As drogas me davam energia para agitar – dia e noite. Recordo????me de planejar escrever um livro científico de quinto grau, ficar rico e ter uma “vida real”. E, como tudo o mais que eu começava, tampouco jamais concluí esse projeto. O livro nunca chegou a ser enviado ao editor. Ao contrário, um dia queimei os originais, quando estava drogado e em desespero. Começava a acontecer cada vez com maior freqüência que, quando estava drogado, eu me sentia mal. ao invés de ficar bem. De tempos em tempos, eu acreditava que poderia não ser um adieto. Naturalmente, pensava que poderia não ser exatamente como o meu pai (ainda persistia a negação), mas que minha vida estava ficando cada vez mais fora de controle e, a cada mudança, pequenas fendas iam rompendo aos poucos a minha muralha de negação. Um dia eu me vi perdendo o emprego de professor. Além desse pequeno problema profissional. minha mulher estava grávida do nosso segundo filho. Decidi que Deus esperava que eu me tomasse diretor do grupo jovem da igreja. Tentei conseguir esse trabalho por diversas vezes, o que sempre me era negado. Lembro de um domingo, quando recebi outro não, e disse a minha esposa que era muito triste Deus não querer a gente. Eu sentia uma tremenda necessida­de de ser querido e útil. Aliás, nós to­dos sentimos! Foi naquela época que comecei a perceber, na minha vida, surgirem os mesmos padrões que estiveram presen­tes na vida do meu pai. Contudo, na­quela situação, desempregado e espe­rando o segundo filho, só me restava usar para amenizar meu sentimento. Até hoje me recordo dos aconteci­mentos daquele dia de 1967, quando nasceu nosso filho. Chamei a minha mãe e desatei a chorar. Estava tão aba­lado. Mas lembro de cada palavra da nossa conversa. Contei-lhe não saber o que havia de errado comigo. Mamãe, contudo, co­nhecia o problema. E disse-me com todas as letras. “Bill, são essas maldi­tas drogas!” E a palavra “malditas” sig­nificava ofensa grave no entender de minha mãe. Uma vez que minha mãe já estava ciente do meu uso, decidi que era hora de parar. Parar antes que me tornasse um adieto. Eu meio que sabia, mas nin­guém poderia ousar mencionar que eu fosse um adieto. Então eu parei. Mas não freqüentava reuniões. Na verdade, eu não tinha co­nhecimento do programa de NA. Acha­va que não precisaria de qualquer aju­da – contanto que jamais voltasse a usar. No período de 1967 a 1970, conse­gui ficar dezoito meses limpo. Também me caiu um emprego, no hospital esta­dual, como conselheiro para dependen­tes de álcool e drogas. Na ocasião, pen­sei que finalmente exercia a profissão que Deus desejara para mim. Um dia, no princípio de 1972, come­cei a usar os relaxantes musculares de uma das unidades onde eu trabalhava. A enfermeira que me forneceu os remé­dios era uma boa amiga e imaginou es­tar me fazendo um favor. Infelizmente, comecei a usar aquelas e outras drogas, seriamente. Ainda me lembro de uma pescaria em que me droguei para me manter acordado a noite toda. Nos três meses seguintes, continuei a usar drogas parte do tempo. Passei a apresentar pro­blemas com meus pacientes. Dizia para mim mesmo que eles deveriam fazer o que eu dizia, não o que eu fazia. Hoje, ainda vou a reuniões de NA, regularmente, porque os passos me ofe­recem uma maneira feliz de viver. Os passos e os companheiros de NA têm me dado luz e sugestões de recupera­ção, que eu gostaria muito de partilhar: Ame a si próprio. Ame os outros. Encontre um mentor. Seja um mentor. Não me interessa o quanto você sabe até que você saiba o quanto eu me interesso. Acreditar em alguém é exatamente O que necessitamos, a fim de nos tomarmos quem nós desejamos ser. Ninguém do programa poderá lhe oferecer nada, mas poderá lhe mostrar como conseguir as coisas de que você necessita: Deus, amor, respeito e amigos. A recuperação é uma viagem, não um destino. Nossa maior necessidade é a de sermos necessários. Ame a pessoa. Odeie a doença. Amar outro ser humano é ver e sentir a presença de Deus. Não observe como uma pessoa é, mas o que ela poderá vir a ser. A recuperação poderá ser uma jornada empreendida por toda a família. Recuperação é “coisa de Deus”. Obrigado, Deus, por me dar as pes­soas de NA em recuperação. Realmen­te, funciona. Acima de tudo, quero agra­decer por poder ser parte da família em recuperação.”

 

 

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